
Fabio Lemes
Economista, Mestre em Desenvolvimento pela Unijuí.
A Senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente (MMA) no Governo Lula, que inclusive foi à primeira ministra anunciada publicamente no primeiro mandado do presidente (juntamente com Antonio Palocci no Ministério da Fazenda), saiu do governo porque este impôs uma visão de crescimento econômico, consolidada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que considerou muito pouco as demandas ambientais apresentadas pelo MMA.
O ingresso de Marina Silva no Partido Verde, PV com sua possível candidatura a Presidência da Republica em 2010, pode representar uma tentativa de pautar a temática ambiental com mais relevância no processo eleitoral. Isto pode ser entendido como positivo, mas o partido escolhido pela senadora, apesar de seu nome (PV), esta longe de ser um partido no sentido programático do termo. Sua configuração nacional assemelha-se mais a uma legenda de aluguel...
Fabio Lemes
A Senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente (MMA) no Governo Lula, que inclusive foi à primeira ministra anunciada publicamente no primeiro mandado do presidente (juntamente com Antonio Palocci no Ministério da Fazenda), saiu do governo porque este impôs uma visão de crescimento econômico, consolidada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que considerou muito pouco as demandas ambientais apresentadas pelo MMA.
O ingresso de Marina Silva no Partido Verde, PV com sua possível candidatura a Presidência da Republica em 2010, pode representar uma tentativa de pautar a temática ambiental com mais relevância no processo eleitoral. Isto pode ser entendido como positivo, mas o partido escolhido pela senadora, apesar de seu nome (PV), esta longe de ser um partido no sentido programático do termo. Sua configuração nacional assemelha-se mais a uma legenda de aluguel, que reúne nomes tão dispares no cenário político e com propostas políticas pouco consistentes que nem mesmo o movimento ambientalista acompanha este partido como alternativa.
Mas a candidatura de Marina Silva a presidência contribuiu para amenizar um sério problema do PT. O partido, especialmente a nível nacional, não encanta mais um importante setor da sociedade brasileira. Nas ultimas eleições, a candidata Heloisa Helena, do PSOL, recebeu mais de 7 milhões de votos, sendo que cada vez setores mais amplos da sociedade começam a buscar uma alternativa de esquerda ao lulismo.
A candidatura de Dilma (PT), apesar de capitalizar a maior parte das conquistas do governo, só se elegerá se conseguir reunir no segundo turno tanto os setores fisiológicos que o governo Lula vem arregimentando (basta ver o apoio a Sarney no Senado), com os setores da centro-esquerda e os campos mais progressistas do país, para enfrentar José Serra, do PSDB.
Neste sentido, uma campanha mais a esquerda de Dilma (PT), representada por Marina Silva (PV), com a garantia de apoio desta ao PT no segundo turno interessa tanto ao Palácio do Planalto, que é possível imaginar-se que esta “ruptura” de Marina com o partido a qual ajudou a construir só aconteceu porque seu movimento é uma ação a serviço dos próprios interesses do Governo Lula.
E os governistas se deram ao trabalho de criar esta estratégia porque sabem o perigo que representa uma candidatura alternativa como a de Heloisa Helena/PSOL, com um programa socialista, baseado em propostas de Desenvolvimento Sustentável, que se propõe a modificar as estruturas políticas e sociais deste país. Portanto, a possível candidatura de Marina Silva (PV) servirá mais aos setores neoliberais (PSDB) ou sociais-liberais (PT), para os quais as questões ambientais são apenas variáveis a serem equalizadas, e não uma mudança de mentalidade que deve se priorizada.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Marina Silva: uma ação do PT para enfrentar Heloisa Helena e o PSOL
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
15 anos de Plano Real, que herança comemorar?

Fabio Lemes
Recentemente comemorou-se, com grande pompa no Senado Federal, os 15 anos de implementação do Plano Real, amplamente festejada pela mídia nacional. Tanto os aliados de Lula, como a oposição neoliberal fizeram discursos em homenagem ao plano que “estabilizou a economia brasileira”. Este discurso senso comum entende a economia apenas como as variáveis financeiras, sem considerar as demais conseqüências da moeda para uma economia nacional.
Este Plano Real foi afiançado no...
Fabio Lemes
Recentemente comemorou-se, com grande pompa no Senado Federal, os 15 anos de implementação do Plano Real, amplamente festejada pela mídia nacional. Tanto os aliados de Lula, como a oposição neoliberal fizeram discursos em homenagem ao plano que “estabilizou a economia brasileira”. Este discurso senso comum entende a economia apenas como as variáveis financeiras, sem considerar as demais conseqüências da moeda para uma economia nacional.
Este Plano Real foi afiançado no financiamento externo para formar uma reserva em dólares que viabilizassem o lucro dos investimentos, especialmente os especulativos. A valorização do Real frente ao dólar abriu as portas para a enxurrada de produtos importados, além de prejudicar as exportações, a consagração deste modelo foi o regime de câmbio fixo.
Sem conseguir divisas externas por meio da balança comercial, o país tornava-se cada vez mais dependente do capital especulativo. E o governo aumentava os juros para atrair esses capitais, via títulos da dívida, além de avançar no programa de privatizações, desfazendo-se das estatais para atrair especuladores e equilibrar as contas externas, tendo como conseqüência a queda dos investimentos produtivos, que no campo energético, por exemplo, quase levaram o país a um apagão.
Na prática, o câmbio fixo foi uma semi-dolarização da economia. Na Argentina, onde essa política foi mais radical, chegando a ser colocado na Constituição a paridade cambial de um peso para um dólar, resultou na bancarrota total da economia do país visinho no final de 2001.
No Brasil, uma das principais conseqüências foi à explosão da dívida pública, que em 1994 representava 32,5% do PIB, chegando em 1998 a 37,8% e pulando em 2002 para 57% do valor que o país produzia em um ano. Isto ocorreu em um processo de privatizações e rolagens de dividas, com elevados pagamentos de juros regiamente. A saída do governo era recorrer, constantemente a empréstimos internacionais, sobretudo junto ao FMI.
Estes empréstimos vinham com a contrapartida da exigência de um rigoroso ajuste fiscal e metas de superávit primário, ou seja, economia nos gastos sociais e investimentos, para pagamento de juros.
A abertura comercial via redução das tarifas de importação e o câmbio
valorizado provocaram uma enxurrada de produtos importados, afetando a indústria nacional e causando desemprego.
Em 1994, a taxa de desemprego nas regiões metropolitanas era de 5,4%, chegando a 8,2% em 1998. Em 2004 estava em 13%. Este era um dos principais resultados da reestruturação produtiva e da flexibilização dos direitos sociais e trabalhistas.
O aumento da dívida pública via Plano Real foi diferente do endividamento anterior, pois desta vez ela não financiava a substituição de importações ou o
aumento das exportações. Ao contrário, tornava o país mais vulnerável às oscilações da economia internacional.
Esta política durou até a crise do câmbio, em janeiro de 1999, quando uma fuga massiva de capital especulativo encerrou o regime de câmbio fixo, que era o principal
instrumento de sustentação do Plano Real. Para muitos economistas, este plano terminou nesta crise, restando apenas à moeda Real.
A partir de 1999 adotou-se o câmbio flutuante, o valor da moeda passou a depender da quantidade de dólares no mercado. A partir daí estabeleceu um tripé
que vigora até hoje: as metas de inflação, de superávit primário e a Lei de Responsabilidade Fiscal (ou Lei de Irresponsabilidade Pública).
A inflação deixou de ser a principal preocupação dos trabalhadores, sendo substituída pelo desemprego, a flexibilização das relações trabalhistas e baixos salários. A população em geral ganhou a precarização dos serviços públicos, como saúde e educação. Os servidores públicos ficaram com salários arrochados e sofreram enormes perdas nesse período. O governo atual promove mantém um pesado superávit primário para pagar os juros da divida, que foi internalizada via mecanismos de venda de títulos da divida pública no mercado nacional.
E mesmo com a enorme propaganda sobre o fim da inflação, utilizada pelo governo e os empresários para não concederem reajustes, a população de baixa renda sabe que a inflação continua nas prateleiras, corroendo os salários em médio prazo.
Essa é a verdadeira herança do Plano Real, comemorada por oposicionistas como Fernando Henrique Cardoso e Agripino Maia e governistas como José Sarney e Fernando Collor de Melo.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
O debate sobre o PIB: "estamos fazendo a conta errada"
A análise é de Ladislau Dowbor...
O debate sobre o PIB: "estamos fazendo a conta errada"
Quando o navio petroleiro Exxon Valdez naufragou nas costas do Alaska, foi necessário contratar inúmeras empresas para limpar as costas, o que elevou fortemente o PIB da região. Como pode a destruição ambiental aumentar o PIB? Simplesmente porque o PIB calcula o volume de atividades econômicas, e não se são úteis ou nocivas. Na metodologia atual, a poluição parece como sendo ótima para a economia, e o IBAMA vai aparecer como o vilão que a impede de avançar.
A análise é de Ladislau Dowbor.
Ladislau Dowbor (*)
"Crescer por crescer, é a filosofia da célula cancerosa" - Banner
colocado por estudantes, na entrada de uma conferência sobre economia.
PIB, como todos devem saber, é o produto interno bruto. Para o comum dos mortais que não fazem contas macroeconômicas, trata-se da diferença entre aparecerem novas oportunidades de emprego (PIB em alta) ou ameaças de desemprego (PIB em baixa). Para o governo, é a diferença entre ganhar uma eleição e perdê-la. Para os jornalistas, é uma ótima oportunidade para darem a impressão de entenderem do que se trata. Para os que se preocupam com a destruição do meio-ambiente, é uma causa de desespero. Para o economista que assina o presente artigo, é uma oportunidade para desancar o que é uma contabilidade clamorosamente deformada.
Peguemos o exemplo de uma alternativa contábil, chamada FIB. Trata-se simplesmente um jogo de siglas, Felicidade Interna Bruta. Tem gente que prefere felicidade interna líquida, questão de gosto. O essencial é que inúmeras pessoas no mundo, e técnicos de primeira linha nacional e internacional, estão cansados de ver o comportamento econômico ser calculado sem levar em conta – ou muito parcialmente – os interesses da população e a sustentabilidade ambiental. Como pode-se dizer que a economia vai bem, ainda que o povo va mal? Então a economia serve para quê?
No Brasil a discussão entrou com força recentemente, em particular a partir do cálculo do IDH (Indicadores de Desenvolvimento Humano), que inclui, além do PIB, a avaliação da expectativa de vida (saúde) e do nível da educação. Mais recentemente, foram lançados dois livros básicos, Reconsiderar a riqueza, de Patrick Viveret, e Os novos indicadores de riqueza de Jean-Gadrey e Jany-Catrice. Há inúmeras outras iniciativas em curso, que envolvem desde o Indicadores de Qualidade do Desenvolvimento do IPEA, até os sistemas integrados de indicadores de qualidade de vida nas cidades na linha do Nossa São Paulo. O movimento FIB é mais uma contribuição para a mudança em curso. O essencial para nós, é o fato que estamos refazendo as nossas contas.
As limitações do PIB aparecem facilmente através de exemplos. Um paradoxo levantado por Viveret, por exemplo, é que quando o navio petroleiro Exxon Valdez naufragou nas costas do Alaska, foi necessário contratar inúmeras empresas para limpar as costas, o que elevou fortemente o PIB da região. Como pode a destruição ambiental aumentar o PIB? Simplesmente porque o PIB calcula o volume de atividades econômicas, e não se são úteis ou nocivas. O PIB mede o fluxo dos meios, não o atingimento dos fins. Na metodologia atual, a poluição
aparece como sendo ótima para a economia, e o IBAMA vai aparecer como o vilão que a impede de avançar. As pessoas que jogam pneus e fogões velhos no rio Tieté, obrigando o Estado a contratar empresas para o desassoreamento da calha, contribuem para a produtividade do país. Isto é conta?
Mais importante ainda, é o fato do PIB não levar em conta a redução dos estoques de bens naturais do planeta. Quando um país explora o seu petróleo, isto é apresentado como eficiência econômica, pois aumenta o PIB. A expressão “produtores de petróleo” é interessante, pois nunca ninguém conseguiu produzir petróleo: é um estoque de bens naturais, e a sua extração, se der lugar a atividades importantes para a humanidade, é positiva, mas sempre devemos levar em conta que estamos reduzindo o estoque de bens naturais que entregaremos aos nossos
filhos. A partir de 2003, por exemplo, não na conta do PIB mas na conta da poupança nacional, o Banco Mundial já não coloca a extração de petróleo como aumento da riqueza de um país, e sim como a sua descapitalização. Isto é elementar, e se uma empresa ou um governo apresentasse a sua contabilidade no fim de ano sem levar em conta a variação de estoques, veria as suas contas rejeitadas. Não levar em conta o consumo de bens não renováveis que estamos dilapidando deforma radicalmente a organização das nossas prioridades. Em termos técnicos,
é uma contabilidade grosseiramente errada.
A diferença entre os meios e os fins na contabilidade aprece claramente nas opções de saúde. A Pastoral da Criança, por exemplo, desenvolve um amplo programa de saúde preventiva, atingindo milhões de crianças até 6 anos de idade através de uma rede de cerca de 450 mil voluntárias. São responsáveis, nas regiões onde trabalham, por 50% da redução da mortalidade infantil, e 80% da redução das hospitalizações. Com isto, menos crianças ficam doentes, o que significa que se consome menos medicamentos, que se usa menos serviços hospitalares, e que as famílias vivem mais felizes. Mas o resultado do ponto de vista das contas econômicas é completamente diferente: ao cair o consumo de medicamentos, o uso de ambulâncias, de hospitais e de horas de médicos, reduz-se também o PIB. Mas o objetivo é aumentar o PIB ou melhorar a saúde (e obem-estar) das famílias?
Todos sabemos que a saúde preventiva é muito mais produtiva, em termos de custo-benefício, do que a saúde curativa-hospitalar. Mas se nos colocarmos do ponto de vista de uma empresa com fins lucrativos, que vive de vender medicamentos ou de cobrar diárias nos hospitais, é natural que prevaleça a visão do aumento do PIB, e do aumento do lucro. É a diferença entre os serviços de saúde e a indústria da doença. Na visão privatista, a falta de doentes significa falta de clientes. Nenhuma empresa dos gigantes chamados internacionalmente de
“big pharma” investe seriamente em vacinas, e muito menos em vacinas de doenças de pobres. Ver este ângulo do problema é importante, pois nos faz perceber que a discussão não é inocente, e os que clamam pelo progresso identificado com o aumento do PIB querem, na realidade, maior dispêndio de meios, e não melhores resultados. Pois o PIB não mede resultados, mede o fluxo dos meios.
É igualmente importante levar em consideração que o trabalho das 450 mil voluntárias da Pastoral da Criança não é contabilizado como contribuição para o PIB. Para o senso comum, isto parece uma atividade que não é propriamente econômica, como se fosse um bandaid social. Os gestores da Pastoral, no entanto, já aprenderam a corrigir a contabilidade oficial. Contabilizam a redução do gasto com medicamentos, que se traduz em dinheiro economizado na família, e que é liberado para outros gastos. Nesta contabilidade corrigida, o não-gasto aparece como aumento da renda familiar. As noites bem dormidas quando as crianças estão bem representam qualidade de vida, coisa muitíssimo positiva, e que é afinal o objetivo de todos os nossos esforços. O fato da mãe ou do pai não perderem dias de trabalho pela doença dos filhos também ajuda a economia. O Canadá, centrado na saúde pública e preventiva, gasta 3 mil dólares por pessoa em saúde, e está em primeiro lugar no mundo neste plano. Os Estados Unidos, com saúde curativa e dominantemente privada, gastam 6,5 mil, e estão longe
atrás em termos de resultados. Mas ostentam orgulhosamente os 16% do PIB gastos em saúde, para mostrar quanto esforço fazem. Estamos medindo meios, esquecendo os resultados. Neste plano, quanto mais ineficientes os meios, maior o PIB.
Uma outra forma de aumentar o PIB é reduzir o acesso a bens gratuitos. Na Riviera de São Lourenço, perto de Santos, as pessoas não têm mais livre acesso à praia, a não ser através de uma séria de enfrentamentos constrangedores. O condomínio contribui muito para o PIB, pois as pessoas têm de gastar bastante para ter acesso ao que antes acessavam gratuitamente. Quando as praias são gratuitas, não aumentam o PIB. Hoje os painéis publicitários nos “oferecem” as maravilhosas praias e ondas da região, como se as tivessem produzido. A busca de se
restringir a mobilidade, o espaço livre de passeio, o lazer gratuito oferecido pela natureza, gera o que hoje chamamos de “economia do pedágio”, de empresas que aumentam o PIB ao restringir o acesso aos bens. Temos uma vida mais pobre, e um PIB maior.
Este ponto é particularmente grave no caso do acesso ao conhecimento. Trata-se de uma área onde há excelentes estudos recentes, como A Era do Acesso, de Jeremy Rifkin; The Future of Ideas, de Lawrence Lessig; O imaterial, de André Gorz, ou ainda Wikinomics, de Don Tapscott. Um grupo de pesquisadores da USP Leste, com Pablo Ortellado e outros professores, estudou o acesso dos estudantes aos livros acadêmicos: o volume de livros exigidos é proibitivo para o bolso dos estudantes (80% de famílias de até 5 salários mínimos), 30% dos títulos recomendados estão esgotados. Na era do conhecimento, as nossas universidades de linha de frente trabalham com xerox de capítulos isolados do conjunto da obra, autênticos ovnis científicos, quando o MIT, principal centro de pesquisas dos Estados Unidos, disponibiliza os cursos na íntegra gratuitamente online, no quadro do OpenCourseWare (OCW) (1). Hoje, os copyrights incidem sobre as obras até 90 anos após a morte do autor. E se fala naturalmente em “direitos do autor”, quanto se trata na realidade de direitos das editoras, dos
intermediários.
É impressionante investirmos por um lado imensos recursos públicos e privados na educação, e por outro lado empresas tentarem restringir o acesso aos textos. O objetivo, é assegurar lucro das editoras, aumentando o PIB, ou termos melhores resultados na formação, facilitando, e incentivando (em vez de cobrar) o aprendizado? Trata-se, aqui também, da economia do pedágio, de impedir a gratuidade que as novas tecnologias permitem (acesso online), a pretexto de proteger a remuneração dos produtores de conhecimento.
Outra deformação deste tipo de conta é a não contabilização do tempo das pessoas. No nosso ensaio Democracia Econômica, inserimos um capítulo “Economia do Tempo”. Está disponível online, e gratuitamente. O essencial, é que o tempo é por excelência o nosso recurso não renovável. Quando uma empresa nos obriga a esperarmos na fila, faz um cálculo: a fila é custo do cliente, não se pode abusar demais. Mas o funcionário é custo da empresa, e portanto vale a pena abusar um pouco. Isto se chama externalização de custos. Imaginemos que o valor
do tempo livre da população econômicamente ativa seja fixado em 5 reais. Ainda que a produção de automóveis represente um aumento do PIB, as horas perdidas no trânsito pelo encalacramento do trânsito poderiam ser contabilizadas, para os 5 milhões de pessoas que se deslocam diariamente para o trabalho em São Paulo, em 25 milhões de reais, isto calculando modestos 60 minutos por dia. A partir desta conta, passamos a olhar de outra forma a viabilidade econômica da construção de metrô e de outras infraestruturas de transporte coletivo. E são perdas que permitem equilibrar as opções pelo transporte individual: produzir carros realmente aumenta o PIB, mas é uma opção que só é válida enquanto apenas minorias têm acesso ao automóvel. Hoje São Paulo anda em primeira e segunda, gastando com o carro, com a gasolina, com o seguro, com as doenças respiratórias, com o tempo perdido. Os quatro primeiros itens aumentam o PIB. O último, o tempo perdido, não é contabilizado. Aumenta o PIB, reduz-se a mobilidade. Mas o carro afinal era para quê?
Alternativas? Sem dúvida, e estão surgindo rapidamente. Não haverá o simples abandono do PIB, e sim a compreensão de que mede apenas um aspecto, muito limitado, que é o fluxo de uso de meios produtivos. Mede, de certa forma, a velocidade da máquina. Não mede para onde vamos, só nos diz que estamos indo depressa, ou devagar. Não responde aos problemas essenciais que queremos acompanhar: estamos produzindo o quê, com que custos, com que prejuizos (ou vantagens) ambientais, e para quem? Aumentarmos a velocidade sem saber para onde vamos não faz sentido. Contas incompletas são contas erradas.
Como trabalhar as alternativas? Há os livros mencionados acima, o meu preferido é o de Jean Gadrey, foi editado pelo Senac. E pode ser utilizado um estudo meu sobre o tema, intitulado Informação para a Cidadania e o Desenvolvimento Sustentável. Porque não haverá cidadania sem uma informação adequada. O PIB, tão indecentemente exibido na mídia, e nas doutas previsões dos consultores, merece ser colocado no seu papel de ator coadjuvante. O objetivo é vivermos melhor. A economia é apenas um meio. É o nosso avanço para uma vida melhor que deve ser medido.
* Ladislau Dowbor é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, professor titular da PUC de São Paulo e consultor de diversas agências das Nações Unidas. É autor de “Democracia Econômica”, “A Reprodução Social: propostas para uma gestão descentralizada”, “O Mosaico Partido: a economia além das equações”, “Tecnologias do Conhecimento: os Desafios da Educação”, todos pela editora Vozes, além de “O que Acontece com o Trabalho?” (Ed. Senac) e co-organizador da coletânea “Economia Social no Brasil“ (ed. Senac) Seus numerosos trabalhos sobre planejamento econômico e social, inclusive o artigo Informação para a Cidadania mencionado acima, estão disponíveis no site http://dowbor.org/ – Contato: ladislau@dowbor.org
(1) O material do MIT pode ser acessado no site http://www.ocw.mit.edu/; Em vez de tentar impadir a aplicação de novas tecnologias, como aliás é o caso das empresas de celular que lutam contra o wi-fi urbano e a comunicação quase gratuita via skype, as empresas devem pensar em se reconverter, e prestar serviços úteis ao mercado. A IBM ganhava dinheiro vendendo computadores, e quando este mercado se democratizou com o barateamento dos computadores pessoais migrou para a venda de softwares. Estes hoje devem se tornar gratuitos (a própria IBM optou pelo Linux), e a empresa passou a se viabilizar prestando serviços de apoio informático. Travar o acesso aumenta o PIB, mas empobrece a sociedade.
Fonte
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15977
Com as chuvas, os problemas acabaram?
Nos últimos meses a nossa região vinha sofrendo com uma forte estiagem, que causou inúmeros danos tanto na agricultura quanto nos outros setores. Porém, felizmente, as chuvas chegaram e os problemas estariam resolvidos, todavia ainda resta muita coisa a recuperar.
A estiagem obrigou as prefeituras da região a efetuarem gastos extraordinários para ajudar seus munícipes, por um longo período muitas famílias, especialmente da área rural, dispunham apenas da água trazida por caminhões da prefeitura para seu consumo e para o gado. Muitas prefeituras chegaram inclusive a paralisar suas atividades internas, o transporte escolar e as aulas para evitarem maiores despesas financeiras, alem de poupar água.
Mais critica ainda é a situação dos agricultores, que viram suas lavouras e pastagens secar, de tal forma que perdemos praticamente toda a safrinha de milho e os prejuízos com o gado também são enormes e irrecuperáveis, especialmente no que é relativo à produção leiteira, pois além de ficar sem o milho safrinha, que em grande parte seria utilizado para alimentação dos animais, tanto na forma de grãos quanto silagem, o gado em geral perdeu bastante peso durante a estiagem, com isso diminuindo significativamente a produção, sem contar que a maioria dos agricultores foram obrigados a alimentar o gado com a silagem estocada para o inverno. Sabemos que o gado não engorda do dia para a noite, portanto a produção não aumentará somente pela chegada da chuva, da mesma forma que a produção durante o inverno também esta comprometida, visto que o alimento destinado para tal período já foi gasto.
Como vemos, a chuva é extremamente necessária, mas a estiagem deixou um rastro de desolação na região, portanto os problemas não acabaram com a chegada das chuvas. Agora mais do que nunca é necessário um posicionamento dos governos Estadual e Federal, no sentido de renegociar dividas dos produtores rurais e das prefeituras, visando à reestruturação produtiva e administrativa da região, caso contrário os impactos relativos à estiagem perdurarão e se multiplicarão, podendo acarretar na incapacidade de investimento das prefeituras e na impossibilidade de nossos agricultores produzirem, especialmente aqueles pertencentes à agricultura familiar, fato que pode acentuar o êxodo rural na região.
[1] Acadêmico do curso de Economia da Unijuí, Estagiário da ITECSOL- Incubadora de Economia Solidária, Desenvolvimento e Tecnologia Social da Unijuí e integrante do Grupo PET-Economia.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Políticas expansionistas: a receita milagrosa do planejamento central para debelar a atual crise

Bruno Colletto[1]
Estamos em meio a uma turbulência sem precedentes na economia mundial nos últimos setenta anos. Basta observarmos os números gigantescos que esta crise produziu e ainda está produzindo. E sendo desta forma, tornou-se inevitável que as tão propagadas causas que vinham sendo idealizadas pelos planejamentos centrais e suas influências mundo afora viessem por terra, provocando a debandada de alguns daqueles que outrora se engajavam em apoiá-las.
E então a verdade torna-se explícita e insustentável, e não mais pode-se sustentar que a responsabilidade desta crise seja do sistema financeiro, que na verdade não passa de uma conseqüência das atitudes irresponsáveis do planejamentos centrais, especialmente os EUA, que no intuito de estimular a atividade econômica em momentos de desaceleração praticou políticas fiscais e especialmente monetárias expansionistas inundando o mercado de moeda provocando uma diminuição artificial da taxa de juros e uma conseqüente viabilização de atividades econômicas que não seriam possíveis com a taxa de juros real da economia.
Ao se fazer isso a economia recebe um gás, e retoma suas atividades, porém de forma insustentável, criando os chamados ciclos econômicos. E desta forma a humanidade fica a mercê de períodos de grande euforia, provocados pelo artificial crescimento da economia, e períodos como os que estamos passando agora, que nada mais são do que a evidência dos erros do passado, levados à tona pela força do mercado.
Porém, para a maioria isso parece ser totalmente desconhecido, vide as atitudes dos planejamentos centrais: diminuição de juros, redução de tributos, injeção de enormes pacotes de dinheiro dos contribuintes na economia para salvar aquelas atividades econômicas que, graças às atitudes errôneas do mesmo no passado se tornaram viáveis, ou seja, praticando as milagrosas políticas expansionistas, as quais colocaram-nos nesta situação. Parece uma metáfora, porém, estamos sendo tratados de uma doença com a causa dela.
Sendo assim, o que podemos esperar para o futuro? Infelizmente as expectativas não são boas, pois, o nosso provável destino é mais um ciclo econômico. De que proporções? De que consequências? Isso somente o mercado, daqui um tempo suficiente poderá nos dizer. Então, resta-nos esperar um pouco de sensatez dos planejadores oficiais permitindo que o mercado elimine, neste momento, a maior quantidade possível de imperfeições, mesmo sabendo que isso provocaria um sofrimento momentâneo ainda maior e seria a sua desgraça política. Um sofrimento aceitável diante dos benefícios proporcionados pelo crescimento sustentável no longo prazo.
[1] Integrante do grupo PET Economia - Unijuí.
segunda-feira, 16 de março de 2009
EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA: “ME DECIFRA OU TE DEVORO”
Ao se tomar ciência e educação em seu desenvolvimento histórico como objeto de estudo, percebe-se como é íntima esta conexão. Pode-se compreender esta estreita relação partindo da análise da evolução estrutural da ciência e educação modernas e seus desdobramentos até nossos dias.
Nossa análise inicial se reporta, por um lado, à formatação da ciência moderna e, por outro, à estruturação da própria educação daquele mesmo contexto. Em seguida, expõe-se uma seqüência de acontecimentos nos mais diversos campos do saber que rompem com essa formatação inicial do pensamento moderno dando origem àquilo que se convencionou chamar a quebra do paradigma da modernidade. Esses acontecimentos podem ser considerados os sintomas mais visíveis de uma mudança que nada mais é do que a chave para a compreensão do nosso mundo contemporâneo. Para tanto, nossa proposta consiste em partir desta reflexão inicial sobre o desenvolvimento de alguns momentos históricos tanto da ciência como da própria educação, pois acreditamos que estes são determinantes e responsáveis pelo modelo de educação vigente em nossos dias. Nosso intento procura debater o modelo de educação atual, mas sem permanecer fechados em seu domínio e sim buscando compreender de que legado somos herdeiros?...
[1] Professor, mestre em Filosofia pela UFSM – Universidade Federal de Santa Maria.
Leocir Bressan[1]
Ao se tomar ciência e educação em seu desenvolvimento histórico como objeto de estudo, percebe-se como é íntima esta conexão. Pode-se compreender esta estreita relação partindo da análise da evolução estrutural da ciência e educação modernas e seus desdobramentos até nossos dias.
Nossa análise inicial se reporta, por um lado, à formatação da ciência moderna e, por outro, à estruturação da própria educação daquele mesmo contexto. Em seguida, expõe-se uma seqüência de acontecimentos nos mais diversos campos do saber que rompem com essa formatação inicial do pensamento moderno dando origem àquilo que se convencionou chamar a quebra do paradigma da modernidade. Esses acontecimentos podem ser considerados os sintomas mais visíveis de uma mudança que nada mais é do que a chave para a compreensão do nosso mundo contemporâneo. Para tanto, nossa proposta consiste em partir desta reflexão inicial sobre o desenvolvimento de alguns momentos históricos tanto da ciência como da própria educação, pois acreditamos que estes são determinantes e responsáveis pelo modelo de educação vigente em nossos dias. Nosso intento procura debater o modelo de educação atual, mas sem permanecer fechados em seu domínio e sim buscando compreender de que legado somos herdeiros?
Partindo da reconstrução anteriormente referida com relação à ciência moderna, percebe-se claramente que esta carregava a bandeira de possuir um conhecimento acabado e definitivo do mundo. Esse cenário pode ser desenhado pela obsessão de Galileu de traduzir o mundo sob a linguagem da matemática. A ciência, nesse sentido, representaria um saber que estaria isento à marca da temporalidade: o conhecimento pretendia-se válido para todos os tempos. Perguntamos nós: e qual o status da educação da época frente a esse cenário? A fim de melhor compreender essa questão podemos nos servir do filósofo alemão Schnädelbach quando este afirma: “para responder a essa pergunta é necessário remontar-se à função do ensinamento na Universidade na Idade Moderna e na época do absolutismo. Em ambos os casos se tratava de transmitir um corpo estático de conhecimentos, conservados nas obras de reconhecidas autoridades. Longe de representar um mérito, a criatividade se considerava indesejável no professor. E isso porque, conforme a mentalidade da época, a verdade é algo já estabelecido e aceito por todos; para adquiri-la basta apreendê-la”. Vê-se, portanto, que a educação da época está perfeitamente inserida no quadro acabado traçado pelo compasso da ciência moderna.
Todavia, este modelo de ciência começa, pouco a pouco, a desvanecer-se sob várias formas. Um exemplo emblemático do desmoronamento desta visão no domínio da ciência é o abalo de estrutura ocasionado pela descoberta de que o Geocentrismo – modelo de movimentação dos astros defendido desde a Antigüidade Clássica – não pode mais ser sustentado. O Heliocentrismo não somente surge como um novo modelo como também rompe com a estrutura ptolomaico-aristotélica do universo, secularizada por muito tempo. Citamos este exemplo pois o modelo geocêntrico do universo era considerado a “menina dos olhos” da ciência por permanecer praticamente inquestionável por quase dois mil anos. Portanto, as conseqüências de tal transformação não somente puseram em questão o movimento dos astros como também e, sobretudo, foram funestas para o próprio status da ciência da época. A própria ciência, repentinamente, descobre-se inacabada, temporal e passível de aperfeiçoamento.
No domínio da historiografia, esta mudança de paradigma pode ser observada no pensamento do filósofo-historiador Johan Gustav Dróysen quando este afirma que, na história, somente há uma coisa de estável: o fato de que tudo flui, tudo muda e que, portanto, um fato histórico somente tem significado quando for analisado dentro de um certo contexto cronológico determinado; não há uma mesma significação válida para todos os tempos. Por conseguinte, faz-se necessária a atividade hermenêutica de constante interpretação das fontes (textos) para (re)significar os fatos históricos que nunca podem ser dados como acabados. Nesse contexto, a própria reinterpretação da Bíblia, proposta Lutero, se insere no âmbito da origem da discussão hermenêutica. No cinema contemporâneo, o reflexo desta mudança pode ser visualizado na aceitação (outrora inimaginável) dos críticos de cinema para com os filmes de final aberto, possibilitando uma significação ao sabor do espectador. Já, no domínio da filosofia, a ênfase ao sujeito do conhecimento (que em outros tempos pertencera ao objeto do conhecimento) coloca em questão a possibilidade de alcançarmos a objetividade dado que apenas observamos o mundo de um modo subjetivo, a partir de nossas lentes e não como ele é em si mesmo. A idéia de uma filosofia em construção também é defendida por Kant quando este afirma que “não se ensina filosofia e sim a filosofar”.
Imersa neste novo cenário, a educação contemporânea muito bem poderia ser enunciada pela suave (mas implacável) voz do poeta: “quando pensamos que temos dado todas as respostas à vida, vem a natureza e nos modifica as perguntas”. Ora, ao proferir tais palavras não estaria o poeta a nos sussurrar que o princípio da nova educação tem sua morada no abrigo da pesquisa? Com o advento das novas tecnologias, de “verdades” sempre novas, de “lentes” constantemente diferentes para visualizar um mundo sempre e cada vez novo, somos como que arrebatados por essas violentas “águas” da mudança às quais nos apresentam um assustador desafio: ou seguimos o seu ritmo e curso ou seremos “arrastados” por elas.
[1] Professor, mestre em Filosofia pela UFSM – Universidade Federal de Santa Maria.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
A Crise mundial e os juros brasileiros
Diogo Mattana[1]
Nos últimos meses estamos acompanhando o desenrolar da crise internacional e de seus impactos sobre a economia brasileira, e, sobretudo as medidas tomadas pelo governo brasileiro para contornar esta crise.
No final do ano passado, o governo anunciou uma redução bastante significativa do IPI – Imposto Sobre Produtos Industrializados, sobre o setor automobilístico, visando reaquecer este mercado, evitando demissões em massa. Porém esta medida se mostrou bastante ineficiente, pois as demissões ocorreram mesmo assim, e não somente no setor automobilístico, mas sim em vários setores da economia, inclusive na nossa região, onde grades empresas como John Deere e Sadia demitiram muitos funcionários. O setor industrial brasileiro reduziu cerca de 12% somente em dezembro de 2008.
No Brasil o olho do furacão, ou seja, o forte da crise deve chegar apenas na metade do ano, a partir de maio/junho...
[1] Acadêmico do curso de Economia da Unijuí, Bolsista PIBEX e integrante do Grupo PET.
Diogo Mattana[1]
Nos últimos meses estamos acompanhando o desenrolar da crise internacional e de seus impactos sobre a economia brasileira, e, sobretudo as medidas tomadas pelo governo brasileiro para contornar esta crise.
No final do ano passado, o governo anunciou uma redução bastante significativa do IPI – Imposto Sobre Produtos Industrializados, sobre o setor automobilístico, visando reaquecer este mercado, evitando demissões em massa. Porém esta medida se mostrou bastante ineficiente, pois as demissões ocorreram mesmo assim, e não somente no setor automobilístico, mas sim em vários setores da economia, inclusive na nossa região, onde grades empresas como John Deere e Sadia demitiram muitos funcionários. O setor industrial brasileiro reduziu cerca de 12% somente em dezembro de 2008.
Cabe discutir este método de intervenção na economia, pois estimular o barateamento dos carros populares pode realizar muitos sonhos, mas em um país onde as cidades não suportam o excesso de tráfego, há de se convir que seria muito mais interessante discutir investimentos em um transporte coletivo de qualidade, ao invés de facilitar a vida e aumentar o lucro das montadoras, além de se discutir uma política de empregos e de crescimento econômico que não seja tão dependente das grandes empresas multinacionais, que agregam lucros aqui para os remeterem a outros países.
No começo da crise, enquanto todos os países estavam diminuindo a taxa básica de juros, o governo brasileiro, visando o controle da inflação fazia o contrario, subia a taxa, mesmo em detrimento do crescimento econômico e da geração de empregos. Porém, na ultima semana, o governo anunciou um corte de um ponto percentual na taxa Selic, visando retomar o crescimento e afirmando que a inflação está sob controle.
Esta redução da taxa de juros veio bastante tarde, ou seja, deveria ter ocorrido já no final do ano passado, quando ao invés de ter acalmado a economia com a redução do IPI, que privilegiou apenas um setor específico, o governo poderia ter aquecido os investimentos com uma redução dos juros, já que o mesmo pregava que os brasileiros não deveriam parar de consumir por causa da crise. Neste momento, o governo deveria ter articulado todos os seus mecanismos visando à ampliação ou no mínimo a manutenção do crescimento da economia, todavia nunca é tarde demais para fazê-lo.
Ainda há espaço para uma redução maior dos juros ao longo do ano, fato que deverá deixar o setor produtivo satisfeito, tendo assim um impacto positivo sobre a economia, especialmente no longo prazo, sobre o nível de emprego e renda.
Neste sentido, também é interessante analisar os métodos pelos quais a economia brasileira vem sustentado seu crescimento, pois sabemos que grande parte do consumo realizado no país é feito na forma de créditos, especialmente quanto aos bens duráveis, tais como casas e automóveis, que em sua maioria são comprados com financiamentos de longo prazo. Sendo assim é necessário que a economia nacional se mantenha estável e com um crescimento sólido e constante, para que não venhamos a observar fatos semelhantes aos ocorridos nos Estados Unidos, onde muitas famílias perderam suas casas por não poderem honrar seus compromissos.
No Brasil o olho do furacão, ou seja, o forte da crise deve chegar apenas na metade do ano, a partir de maio/junho, período no qual as pessoas que foram e estão sendo demitidas deixarão de receber auxílios sociais, como o seguro desemprego, e mesmo as economias pessoais reservadas para momentos difíceis mais dia menos dia, caso a situação de desemprego não se reverta, deverão acabar, pois o dinheiro não dura pra sempre. Portanto é necessário uma tomada de atitude imediata, visando a recuperação do nível de empregos, renda e consumo, para que a economia não sofra uma estagnação ainda maior, especialmente no longo prazo, comprometendo o desenvolvimento econômico e sobretudo o bem estar das famílias brasileiras.
[1] Acadêmico do curso de Economia da Unijuí, Bolsista PIBEX e integrante do Grupo PET.


