terça-feira, 14 de abril de 2009

Políticas expansionistas: a receita milagrosa do planejamento central para debelar a atual crise


Bruno Colletto[1]
Estamos em meio a uma turbulência sem precedentes na economia mundial nos últimos setenta anos. Basta observarmos os números gigantescos que esta crise produziu e ainda está produzindo. E sendo desta forma, tornou-se inevitável que as tão propagadas causas que vinham sendo idealizadas pelos planejamentos centrais e suas influências mundo afora viessem por terra, provocando a debandada de alguns daqueles que outrora se engajavam em apoiá-las.
E então a verdade torna-se explícita e insustentável, e não mais pode-se sustentar que a responsabilidade desta crise seja do sistema financeiro, que na verdade não passa de uma conseqüência das atitudes irresponsáveis do planejamentos centrais, especialmente os EUA, que no intuito de estimular a atividade econômica em momentos de desaceleração praticou políticas fiscais e especialmente monetárias expansionistas inundando o mercado de moeda provocando uma diminuição artificial da taxa de juros e uma conseqüente viabilização de atividades econômicas que não seriam possíveis com a taxa de juros real da economia.
Ao se fazer isso a economia recebe um gás, e retoma suas atividades, porém de forma insustentável, criando os chamados ciclos econômicos. E desta forma a humanidade fica a mercê de períodos de grande euforia, provocados pelo artificial crescimento da economia, e períodos como os que estamos passando agora, que nada mais são do que a evidência dos erros do passado, levados à tona pela força do mercado.
Porém, para a maioria isso parece ser totalmente desconhecido, vide as atitudes dos planejamentos centrais: diminuição de juros, redução de tributos, injeção de enormes pacotes de dinheiro dos contribuintes na economia para salvar aquelas atividades econômicas que, graças às atitudes errôneas do mesmo no passado se tornaram viáveis, ou seja, praticando as milagrosas políticas expansionistas, as quais colocaram-nos nesta situação. Parece uma metáfora, porém, estamos sendo tratados de uma doença com a causa dela.
Sendo assim, o que podemos esperar para o futuro? Infelizmente as expectativas não são boas, pois, o nosso provável destino é mais um ciclo econômico. De que proporções? De que consequências? Isso somente o mercado, daqui um tempo suficiente poderá nos dizer. Então, resta-nos esperar um pouco de sensatez dos planejadores oficiais permitindo que o mercado elimine, neste momento, a maior quantidade possível de imperfeições, mesmo sabendo que isso provocaria um sofrimento momentâneo ainda maior e seria a sua desgraça política. Um sofrimento aceitável diante dos benefícios proporcionados pelo crescimento sustentável no longo prazo.

[1] Integrante do grupo PET Economia - Unijuí.


2 comentários:

  1. Interessente seu artigo sobre as causas da atual crise, afirmando corretamente que tratou-se do excesso de intervenção estatal e não de falhas do livre mercado, como está sendo equivocamente dito pela imprensa krugmaniana.

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  2. Caro colega Bruno
    Concordo em parte no que você coloca, acredito sim que o Estado tenha uma participação grande e importante na atual crise, porém nao podemos culpá-lo somente, pois o mercado tambem tem participação. Me parece que um grande erro do estado é salvar alguma grandes companhias que estão em processo de falência, utilizando para isto dinheiro público, que poderia ser investido de melhor forma em outros setores. Um exemplo disto é o que fez o governo brasileiro, quando reduzio o IPI dos automóveis. Acho que muitas vezes o estado deve sim interferir na economia, porém as medidas a serem tomadas devem ser melhor discutidas, ou estaremos eternamente repassando dinheiro dos contribuintes para grandes companhias que cometeram erros, mas que possuem grande poder político.

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