terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A Crise mundial e os juros brasileiros

Diogo Mattana[1]

Nos últimos meses estamos acompanhando o desenrolar da crise internacional e de seus impactos sobre a economia brasileira, e, sobretudo as medidas tomadas pelo governo brasileiro para contornar esta crise.
No final do ano passado, o governo anunciou uma redução bastante significativa do IPI – Imposto Sobre Produtos Industrializados, sobre o setor automobilístico, visando reaquecer este mercado, evitando demissões em massa. Porém esta medida se mostrou bastante ineficiente, pois as demissões ocorreram mesmo assim, e não somente no setor automobilístico, mas sim em vários setores da economia, inclusive na nossa região, onde grades empresas como John Deere e Sadia demitiram muitos funcionários. O setor industrial brasileiro reduziu cerca de 12% somente em dezembro de 2008.
No Brasil o olho do furacão, ou seja, o forte da crise deve chegar apenas na metade do ano, a partir de maio/junho...
[1] Acadêmico do curso de Economia da Unijuí, Bolsista PIBEX e integrante do Grupo PET.

Diogo Mattana[1]

Nos últimos meses estamos acompanhando o desenrolar da crise internacional e de seus impactos sobre a economia brasileira, e, sobretudo as medidas tomadas pelo governo brasileiro para contornar esta crise.
No final do ano passado, o governo anunciou uma redução bastante significativa do IPI – Imposto Sobre Produtos Industrializados, sobre o setor automobilístico, visando reaquecer este mercado, evitando demissões em massa. Porém esta medida se mostrou bastante ineficiente, pois as demissões ocorreram mesmo assim, e não somente no setor automobilístico, mas sim em vários setores da economia, inclusive na nossa região, onde grades empresas como John Deere e Sadia demitiram muitos funcionários. O setor industrial brasileiro reduziu cerca de 12% somente em dezembro de 2008.
Cabe discutir este método de intervenção na economia, pois estimular o barateamento dos carros populares pode realizar muitos sonhos, mas em um país onde as cidades não suportam o excesso de tráfego, há de se convir que seria muito mais interessante discutir investimentos em um transporte coletivo de qualidade, ao invés de facilitar a vida e aumentar o lucro das montadoras, além de se discutir uma política de empregos e de crescimento econômico que não seja tão dependente das grandes empresas multinacionais, que agregam lucros aqui para os remeterem a outros países.
No começo da crise, enquanto todos os países estavam diminuindo a taxa básica de juros, o governo brasileiro, visando o controle da inflação fazia o contrario, subia a taxa, mesmo em detrimento do crescimento econômico e da geração de empregos. Porém, na ultima semana, o governo anunciou um corte de um ponto percentual na taxa Selic, visando retomar o crescimento e afirmando que a inflação está sob controle.
Esta redução da taxa de juros veio bastante tarde, ou seja, deveria ter ocorrido já no final do ano passado, quando ao invés de ter acalmado a economia com a redução do IPI, que privilegiou apenas um setor específico, o governo poderia ter aquecido os investimentos com uma redução dos juros, já que o mesmo pregava que os brasileiros não deveriam parar de consumir por causa da crise. Neste momento, o governo deveria ter articulado todos os seus mecanismos visando à ampliação ou no mínimo a manutenção do crescimento da economia, todavia nunca é tarde demais para fazê-lo.
Ainda há espaço para uma redução maior dos juros ao longo do ano, fato que deverá deixar o setor produtivo satisfeito, tendo assim um impacto positivo sobre a economia, especialmente no longo prazo, sobre o nível de emprego e renda.
Neste sentido, também é interessante analisar os métodos pelos quais a economia brasileira vem sustentado seu crescimento, pois sabemos que grande parte do consumo realizado no país é feito na forma de créditos, especialmente quanto aos bens duráveis, tais como casas e automóveis, que em sua maioria são comprados com financiamentos de longo prazo. Sendo assim é necessário que a economia nacional se mantenha estável e com um crescimento sólido e constante, para que não venhamos a observar fatos semelhantes aos ocorridos nos Estados Unidos, onde muitas famílias perderam suas casas por não poderem honrar seus compromissos.
No Brasil o olho do furacão, ou seja, o forte da crise deve chegar apenas na metade do ano, a partir de maio/junho, período no qual as pessoas que foram e estão sendo demitidas deixarão de receber auxílios sociais, como o seguro desemprego, e mesmo as economias pessoais reservadas para momentos difíceis mais dia menos dia, caso a situação de desemprego não se reverta, deverão acabar, pois o dinheiro não dura pra sempre. Portanto é necessário uma tomada de atitude imediata, visando a recuperação do nível de empregos, renda e consumo, para que a economia não sofra uma estagnação ainda maior, especialmente no longo prazo, comprometendo o desenvolvimento econômico e sobretudo o bem estar das famílias brasileiras.
[1] Acadêmico do curso de Economia da Unijuí, Bolsista PIBEX e integrante do Grupo PET.

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domingo, 11 de janeiro de 2009

O IPI e o lucro das montadoras

A crise financeira mundial, que se iniciou no setor imobiliário (especulativo) norte-americano, rapidamente começa a contaminar a dita “economia real”. Recentemente as montadoras norte-americanas Ford, General Motors e Chrysler anunciaram que podem falir se não receberem um pacote de ajuda do governo, estimado em cerca de US$ 15 bilhões. A ameaça, como sempre, é o desemprego, colocando na rua milhares de trabalhadores destas indústrias. Outra gigante do ramo, a japonesa Toyota, anunciou o primeiro prejuízo de seus 70 anos de história neste ano de 2008, com uma perda de cerca de US$ 1,7 bilhão e também manda as favas o discurso de livre mercado, solicitando apoio do governo japonês.
No Brasil, a situação destas montadoras não é diferente, pois seus pátios estão lotados de automóveis, tanto aqueles destinados para o mercado interno como os voltados a exportação. E como os governos das economias centrais não estão dispostos a salvar estas empresas sozinhas, elas já ameaçam com fechamentos e demissões aqui em nosso país. Esquecem que boa parte do parque produtivo destas empresas foi inteiramente financiado com recursos públicos dos brasileiros, doados tanto pelos militares como mais recentemente na era FHC.


O governo Lula, fazendo jus aos elogios internacionais de grande estadista, capaz de conter a crise no Brasil, decretou no dia 11/12/2008 uma redução média do Impostos sobre Produção Industrial (IPI) de 7% nos carros populares (poder-se-ia lembrar que carro popular no Brasil é mito). O objetivo, como sempre, é nobre, pois esta redução estimularia o consumo, combatendo a recessão e o desemprego. E é uma decisão coerente, afinal, apesar do governo Lula não ser nenhum desenvolvimentista, esta muito mais próximo de medidas keynesianas do que o governo Bush, por exemplo, que após o estouro da crise se tornou uma espécie de neo-keynesiano.
Mas quem de fato ganha com esta redução do IPI? A economia brasileira? Os trabalhadores brasileiros? Os consumidores? Será que a redução dos preços finais dos automóveis chegará a 7%? Será que não haverá desemprego no setor automobilístico? Será que as montadoras, como GM, Ford e Toyota, entre outras, vão reinvestirem na economia brasileira seus lucros, obtidos com as vendas graças ao IPI reduzido?
Estas perguntas podem até ser respondidas positivamente, o que é pouco provável. Mas ainda assim, a medida do governo Lula não ficaria isenta de criticas, pelo menos se o objetivo da gestão de nossa economia for o desenvolvimento do país. Pois uma redução desta magnitude produzirá efeitos positivos primeiramente sobre o consumo de automóveis, o que agravará problemas de centros urbanos, como São Paulo, onde milhares de novos veículos chegam às ruas todos os dias. Fora os problemas de congestionar o tráfego (o que reduz a mobilidade de mercadorias e da economia como um todo), acarretando agravamento de problemas ambientais, devido à poluição causada por este tipo de veículos.
Deve-se perguntar, por outro lado, se do ponto de vista da geração de trabalho e renda, este modelo de investimento, que concentra recursos em indústrias de grande porte, que concentram suas atividades no sul e sudeste brasileiro, contribui efetivamente para o desenvolvimento do país, ou apenas contribui para elevar a diferenciação regional e desigualdade social no Brasil.
É correto sim o governo estimular setores econômicos, porém este estímulo deve dialogar com as necessidades do conjunto do país e da sua classe trabalhadora. O fomento ao mercado interno, via produção de alimentos e bens duráveis para a agricultura, por exemplo, poderia contribuir não só na segurança alimentar de nosso povo, mas também no crescimento e desenvolvimento como um todo, aproveitando-se inclusive do parque fabril que possuímos.
O mesmo pode-se dizer de um estímulo adequado à habitação popular, pois embora a indústria de construção civil esteja comemorando seus lucros neste final de 2008, é resultado muito mais da reversão de capital especulativo em patrimônio permanente, ou seja, não são os trabalhadores que estão massivamente adquirindo casas, mas especuladores assegurando seus lucros futuros. Porém, financiamentos massivos e imediatos para casas populares, certamente trariam resultados melhores para os trabalhadores, do que os recursos subsidiados as montadoras.
Estes são apenas alguns aspectos, mas como nosso presidente quer apenas que não nos preocupemos e que vamos às compras, vamos esquecer que mais uma vez estamos direta e indiretamente, assegurando os lucros das montadoras e dos especuladores internacionais, com os impostos que pagamos para serem presenteados aos “pobres” acionistas destas transnacionais.

Fabio Moraes Lemes[1]


[1] Economista, Mestrando em Desenvolvimento pela Unijuí, Técnico de Incubação de Empreedimentos de Economia Solidária.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Crise, depressão ou medo?

Nos últimos meses estamos acompanhando o desenrolar do que tem sido chamado de “crise do sistema financeiro mundial”. Muitas vezes comparada com a grande depressão de 1929 e considerada por muitos analistas como sendo a maior crise econômica da história do capitalismo. Mas o que é esta crise? Porque é uma crise do sistema financeiro?
A crise começou com o problema das hipotecas imobiliárias, ou seja, o bancos norte-americanos emprestaram muito dinheiro a credores com capacidade de pagamento duvidosa, os chamados sub-prime, e estes em troca hipotecavam suas casas e até compravam novas casas com o dinheiro dos empréstimos, visando obter lucro pela valorização destes imóveis. A partir do momento em que o mercado ficou saturado, os valores dos imóveis reduziram-se drasticamente, de forma que a dívida tornou-se muito superior ao valor do bem adquirido ou dado em garantia na forma de hipoteca. Assim ficou mais fácil entregar a casa hipotecada do que pagar a hipoteca. Os bancos, por sua vez, para garantirem o seu investimento contrataram seguros para estes papéis de hipoteca, as seguradoras fizeram seguro deste seguro e resseguro do seguro e resseguro do resseguro... em uma extensa rede de relações financeiras baseada em papéis de alta rentabilidade e de altíssimo risco. Quando uma elevação na taxa básica de juros dos EUA alterou os cálculos de viabilidade destes negócios, os devedores optaram por deixar de pagar suas hipotecas, tornaram-se inadimplentes e devolveram seus imóveis esse sistema inteiro implodiu e o resultado todos nós vimos.
Além de perguntar sobre as causas que originaram esta crise também é preciso refletir sobre as suas conseqüências, os impactos que ela produziu pelo mundo e especialmente no Brasil. A credibilidade do sistema financeiro mundial foi afetada profundamente pois, além de provocar prejuízos financeiros por toda parte, a crise provocou a quebra de inúmeras empresas, inclusive bancos de grande porte, e seus efeitos só estão sendo contidos graças as ações coordenadas dos governos dos países ricos e com a destinação de US$ trilhões de recursos públicos para salvar outras.
Os governantes brasileiros têm afirmado que o Brasil está seguro, que possui reservas de segurança e que não será afetado mais seriamente pela crise.
Efetivamente o nosso sistema financeiro passou por um período de ajustes, após a crise de 1998/99, tornando-se um sistema bem mais seguro, estável e responsável. De outro lado, uma política econômica conservadora que prioriza o controle da inflação antes do crescimento econômico, especialmente através manutenção de uma taxa de juros muito alta. Toda a vez que a inflação dá sinais de crescimento os juros aumentam, fato que causa um impacto direto no consumo e no investimento. Quanto ao consumo fica mais difícil comprar, especialmente a prazo. Quanto ao investimento, responsável pelo aumento da capacidade produtiva instalada, o resultado é ainda pior, torna-se muito mais difícil e mais caro investir, o custo de oportunidade é maior quanto maior for a taxa de juros.
Os impactos que o Brasil está sofrendo, resultantes da crise internacional, resultam muito mais do medo em relação ao que poderá acontecer do que dos problemas reais do sistema financeiro e da economia brasileira em si. Pelo medo de consumir, pelo medo de investir, pelo medo da crise. Sim, no Brasil a crise é uma crise gerada pelo medo e não pela fragilidade econômica, este medo é agravado pelo aumento ou pela não diminuição das taxas de juros, que num prazo maior acabam impedindo o crescimento do país.
Claro que muitas empresas multinacionais instaladas no país devem sim sofrer com a perda de faturamento e mesmo a falência de suas matrizes e filiais espalhadas pelo mundo, bem como muitas empresas nacionais que fizeram negócios de longo prazo com um alto grau de risco ou perderam dinheiro com as mudanças do câmbio e a retração do mercado mundial. Esta retração do mercado deve impactar negativamente nas exportações, mas é preciso lembrar que temos um mercado interno com grande potencial, de forma que os produtos que seriam exportados podem ser consumidos internamente. Além disso, os ajustes no câmbio podem compensar os preços.
Além disso, temos as reservas, que são para momentos de dificuldade. Bom se o mercado mundial está em dificuldade e a economia local necessita de investimentos, esta na hora de usarmos estas reservas para fazer investimentos e apoiar as exportações. O investimento é capaz de gerar novos empregos, mais renda e crescimento econômico, portanto esta é a hora de incentivar investimentos, tanto estatais quanto privados, especialmente pela redução da taxa de juros e pela disponibilização de recursos.
Portanto, como o nosso presidente recomenda otimismo e pede para a população consumir mais, seria importante que o governo pudesse articular todos os seus instrumentos de política econômica neste sentido. É importante manter os programas e projetos de investimento, os programas sociais de distribuição de renda e aumento do poder de compra da população, mas também as linhas de crédito para investimentos privados e, especialmente, reduza os juros.

Diogo Moacir Mattana[1]
[1] Acadêmico do curso de Economia, bolsista PIBEX e integrante do grupo PET.

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sábado, 20 de dezembro de 2008

Mudanças do Imposto de Renda para 2009


O governo federal anunciou mudanças no Imposto de Renda Pessoa Física, com a introdução de mais duas alíquotas intermediarias. Ficou estruturado o IR da seguinte maneira, os contribuintes que ganham de R$ 1434,00 a R$ 2150,00 vão pagar 7,5%, sendo que até no ano passado pagavam 15%. A partir de R$ 2150,00até R$ 2866,00; a alíquota será de 15%, para valores entre R$ 2866,00 e R$ 3582,00 foi criada uma nova alíquota de 22,5%. Acima de R$ 3,582,00 a alíquota será de 27,5 %. Essa alteração teve como finalidade diminuir a carga fiscal, principalmente da classe media que foram os maiores beneficiados.
O imposto de renda é um imposto cobrado por vários países, onde cada pessoa ou empresa é obrigada a deduzir uma dada percentagem de sua renda média anual para o governo. Esta percentagem pode variar de acordo com a renda média anual, ou pode ser fixa em uma dada percentagem.
O imposto de renda é um importante instrumento de redistribuição de renda, pois este possui alíquotas progressivas, que incidem diretamente na renda dos contribuintes, de forma que quanto maior for à renda, maior será a alíquota e, conseqüentemente, maior a quantidade de imposto será paga.
A sua função arrecadatoria gera recursos para o financiamento do Estado. Tendo duas competências: a competência tributária é de atribuição do estado para instituir os tributos, e a competência financeira é atribuída aos governo federal, Estaduais e Municipais, através da administração dos processos da contribuição,sendo que deste repasse, 23,5% serão destinado ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e 21,5% serão destinado ao Fundo de Participação dos Estados (FPE).
Acredito que mesmo com o acréscimo destas duas faixas de alíquotas, as pessoas de alta renda não tiveram influencias, pois estas pessoas que deveriam ter uma carga tributaria mais elevada, são as mais beneficiadas no Brasil, está classe social é representada por 25% do montante recolhido, sendo que a classe médias é responsável pela grande parte da contribuição do IR com cerca de 60% do montante total, e a influência da classe baixa é de apenas 15%. Portanto, a classe representada por 25%, ou seja, classe alta, não tem muita diferença na hora de pagar o imposto das pessoas de classe média, por isso que deveria ter faixas de alíquotas variadas conforme a renda do contribuinte, deveria ser revisto este sistema pelos nossos governantes tornando um imposto mais justo e igualitário. Por outro lado o pacote econômico do governo foi mais uma jogada fiscal para estimular as pessoas a comprar, com esse dinheiro que não foi para os cofres públicos por meio do imposto de renda vai retorna de outra forma através do consumo.

Pamela Adriele Sperotto[1]

[1] Acadêmica do curso de Economia da Unijuí, integrante do Grupo PET.

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Redução do IPI no setor automobilístico


O governo federal anunciou no dia 11 de dezembro de 2008 a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de automóveis (setor automobilístico). Esta medida faz parte de um pacote de medidas do governo para estimular à economia nacional em uma contrapartida a crise e a conseqüente desaceleração da economia mundial que terá reflexos principalmente na retração do consumo de bens duráveis (setor automobilístico), devido às fortes exigências e o baixo nível de crédito que se instauraram com essa desestabilização nesses últimos meses.
Com estas medidas, o governo espera que estes setores tenham uma significativa melhora, pois estas intervenções nada mais são do que medidas para incentivar e estimular o consumo interno e, injetar liquidez dentro do mercado para que a crise não atinja tão fortemente o sistema real produtivo, com a demissão de funcionários das empresas em questão, que teria um impacto muito negativo ou prejudicial para a expansão e desenvolvimento da economia do país como um todo.
Tais medidas foram centralizadas na alíquota de IPI de carros populares, de até mil cilindradas, onde o IPI terá uma redução real de 7% para 0%. Para automóveis entre mil e duas mil cilindradas movidos à gasolina, será reduzida de 13% para 6,5%.
Para carros Flex (bicombustível) e movidos à álcool, a alíquota cai de 11% para 5,5%. Entretanto, para veículos que tenham mais de duas mil cilindradas a alíquota não será alterada, portanto a medida valerá só para carros populares, objetivando e centralizando suas iniciativas para os setores de classe média baixa. A redução da alíquota do IPI é válida entre 12 de dezembro de 2008 e 31 de março de 2009.
Estas iniciativas/intervenções estatais buscam um novo estímulo para o consumo dos bens produzidos pelas indústrias automobilísticas, que recentemente vinham registrando queda nas vendas e na produção de veículos, principalmente nos últimos dois meses, devido aos impactos que a crise de liquidez internacional trouxe a este setor de bens duráveis que acabou sentindo mais efeitos dessa retração de consumo (pela dificuldade de acesso a crédito) e principalmente quanto em relação às expectativas dos consumidores.
Contudo, é preciso destacar que a redução do imposto vai incidir sobre os custos de produção dos automóveis, e não sobre o preço final ao consumidor. A partir daí, então, as montadoras vão fazer um cálculo dos custos de produção para saber quanto esta redução de imposto repercute no preço final. E, portanto em seguida, estes valores serão repassados à rede de concessionárias que posteriormente irão aplicar os novos preços ao consumidor final do produto.
Se a redução da alíquota do imposto (IPI) fosse repassada totalmente no valor final dos veículos, o preço de um Fiat Mille, por exemplo, mudaria de R$ 23.470,00 para R$ 21.827,00 com uma redução real de R$ 1.642,90. O Gol City teria redução real de R$ 1.911,00 ficando a R$ 25.398,00. E o Ford Ka 1.0 iria custar R$ 24.607,00 com redução real de R$ 1.852,00. Contanto estes valores são apenas uma simulação, sendo que os valores reais serão anunciados pelas montadoras. Cabe-nos observar se esta redução de impostos vai auxiliar os consumidores ou engrossar os lucros das montadoras.


Daniel Claudy da Silveira[1]
Diogo Moacir Mattana[2]

[1] Acadêmico do curso de Economia, bolsista PIBIC/CNPQ.
[2] Acadêmico do curso de Economia, bolsista PIBEX e integrante do grupo PET.

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sábado, 22 de novembro de 2008

Desdobramentos e Dependências da Cultura da Soja


No Brasil, a soja chegou com os primeiros imigrantes japoneses em 1908 e sua expansão ocorreu durante os anos 70, com o crescente interesse da indústria de óleo e o aumento da demanda pelo produto no mercado internacional.
Até 1975 a produção brasileira de soja era realizada essencialmente com cultivares e técnicas importadas dos Estados Unidos e da Europa, onde as condições climáticas e o solo são completamente diferentes do Brasil.
No Rio Grande do Sul o cultivo começou por volta de 1914, porém, somente a partir da década de 40 a cultura intensificou-se e adquiriu importância econômica. Com o passar dos anos as técnicas de cultivo foram sendo aprimoradas e adaptadas a realidade local, possibilitando uma grande elevação na produção.
Hoje o estado é o quarto maior produtor de soja do Brasil,com 10,1% do total produzido no país, ficando atrás de Mato Grosso, Paraná e Goiás, segundo dados do IBGE.
Para a safra 2008/2009 a área plantada será cerca de 3,8 milhões de hectares(Emater/RS), com a estimativa de uma pequena oscilação negativa em relação a safra passada, cerca de 0,20%.
O grande problema quanto ao plantio da soja fica em torno da grande alta dos insumos, que nos últimos doze meses cresceram cerca de 106%, enquanto o preço do produto variou cerca de 35%(fonte:CEEMA). No mesmo período a cotação do dólar (moeda a qual os preços são atrelados no mercado internacional) caiu cerca de 18%.
As variações da moeda americana sempre foram à principal desculpa para a diminuição do preço do produto, bem como para o aumento do custo dos insumos, no entanto, como explicar este comportamento completamente reverso e desproporcional entre estas variáveis? Quais os reais motivos para essa exorbitante elevação dos custos de produção da soja?
Sabemos que atualmente os fertilizantes somam a maior parte do custo de produção e que o país importa praticamente tudo que consome, portanto, oscilações em seu preço tendem a impactar diretamente nos ganhos do produtor. Outro fator extremamente importante na formação do lucro agrícola fica por conta do preço, que sofre com as grandes oscilações no mercado nacional e internacional.
O preço dos fertilizantes está em uma crescente elevação no mercado mundial, as possíveis causas deste efeito estão relacionadas ao aumento da demanda mundial, pois países como a China e Índia estão apresentando uma elevação do consumo de alimentos, devido à elevação da renda nestes países, e suas áreas territoriais, mesmo sendo enormes, já não produzem o suficiente, tornando necessária uma aplicação maior de fertilizantes, visando aumentar a rentabilidade da área plantada. Também há o fato de que algumas jazidas de exploração de matérias-primas para fertilizantes foram inundadas, diminuindo a oferta. Outro fator passa pelo aumento das tarifas de exportação aplicadas pelos países produtores, como a Rússia, que impôs uma tarifa de 9%, visando proteger a sua indústria e suas reservas naturais, porém é difícil ser conclusivo nesta questão, pois não se sabe exatamente qual é o tamanho do lucro das empresas produtoras e distribuidoras de fertilizantes.
Quanto ao preço do produto, as grandes variações ficam por conta do mercado internacional, nem tanto pelo lado da produção ou quantidade produzia, mas sim pela especulação, ou seja, tem muita gente que nunca viu um pé de soja pela frente e negocia valores altíssimos no mercado mundial, visando arrecadar lucros com as altas e baixas do preço do produto, é a tal da globalização financeira.
Portanto, a única certeza que se pode ter é que a corda sempre arrebenta na ponta mais fraca, ou seja, no produtor, que além de enfrentar as intempéries climáticas, está à mercê dos produtores de insumos e das variações nos preços do produto, ou seja, o produtor não consegue sequer dominar o custo de produção, muito menos o preço final do seu produto.


Diogo Moacir Mattana[1]
Pamela Adriele Sperotto[2]




[1] Acadêmico do curso de Economia da Unijuí, Bolsista PIBEX e integrante do Grupo PET.
[2] Acadêmica do curso de Economia da Unijuí, integrante do Grupo PET.

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sábado, 20 de setembro de 2008

O que se faz com 1,1 bi de dólares?

Comprar três aviões Air Bus A380, os mais caros do mundo? Adquirir quatro iates super luxo? Quem sabe 950 Ferraris V12 GTB Fiorano? Ou talvez umas 1.600 mansões iguais a da Yeda? É poderia se fazer muitas coisas, muitas coisas mesmo! Para nós, simples mortais, é uma quantia inimaginável. Na poupança isto renderia cerca de 10 milhões por mês!!! Porém para o estado do Rio Grande do Sul isso é quase nada, pagaria apenas uns 3% das dividas do estado, todavia o problema do endividamento estatal não surgiu de ontem pra hoje.
A formação do endividamento do Estado do Rio Grande do Sul vem de longa data. Há décadas o governo gaúcho vem gastando mais do que arrecada e utilizando-se de empréstimos para cobrir suas dívidas, fato este que eleva a dívida estatal cada vez mais.
Atualmente a dívida pública total do Estado com o Tesouro Nacional e com o Sistema Financeiro Nacional gira em torno de R$ 34 bilhões, segundo o Banco Central, assim grande parte do que é arrecadado pelo governo estadual é usado apenas para pagar juros da dívida atual.
Até 2001 o governo vinha tendo déficits primários, resultado este que apenas considera as arrecadações e os gastos do governo, não considerando o pagamento de juros da dívida pública. Porém o Estado passou por ajustes, visando equilibrar as finanças. Para tanto, passou a reduzir gastos, enxugando a máquina pública e reduzindo investimentos. Na outra ponta, procurou aumentar as receitas, ou seja, aumentou impostos. Portanto, quem paga a maior parte é sempre o contribuinte. Com estes ajustes o Estado gerou, em 2007, um superávit primário de R$ 974 milhões, de acordo com dados da Secretaria da Fazenda.
Estas mudanças possibilitaram ao governo receber o empréstimo do BIRD de US$ 1,1 bilhão. Este empréstimo será utilizado para pagar parte desta enorme dívida, a parte mais urgente. Serão quitadas dividas com o Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Professores da Educação (Fundeb), junto ao Banco do Brasil e com o Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (Proes) e com a Fundação Banrisul.
Fazer uma dívida para pagar outra dívida não é algo muito interessante em setor nenhum, quanto menos no Estado. Todavia, o objetivo deste empréstimo é recuperar a capacidade de investimento estatal, pois conforme as informações divulgadas, o empréstimo junto ao BIRD será cobrado a juros fixos e parcelado em 30 anos, ou seja, o Estado estará trocando uma dívida cara e a curto prazo, por uma dívida mais barata e estendida. Só o que o governo deixará de gastar com a dívida irá girar em torno de R$ 100 milhões em cinco anos e R$ 650 milhões em 30 anos.
Este saldo possibilitaria ao governo uma ampliação dos investimentos, como por exemplo, em infra-estrutura, em saúde, em educação e geração de emprego e renda. Porém o Estado não pode ficar 30 anos esperando se desenvolver somente com estes R$ 650 milhões, isto é apenas um começo, uma folga momentânea no caixa. É necessário que se faça muito mais! É preciso uma boa gestão dos recursos e um projeto de desenvolvimento bem elaborado, capaz de atender as necessidades do nosso estado e aos anseios do povo gaúcho. Resta-nos esperar pra ver se o governo atual e os posteriores terão capacidade de fazer com que o desenvolvimento aconteça, pois afinal quem vai pagar a conta somos todos nós, bravo povo gaúcho.


Diogo Moacir Mattana[1]
Jussiano Pacheco[2]


[1] Acadêmico do curso de Economia, bolsista PIBEX e integrante do grupo PET.
[2] Acadêmico do curso de Economia, bolsistas do grupo PET.

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